Chegada ao Ponto de Partida

      

      O ciclo completa mais uma volta e torna a repetir-se: volta aquele cansaço angustiante, a falta de ar, as ideias de suicídio, a entrega da alma e do corpo à morte, a perfeição de um mundo sem mim... Não faço falta a ninguém, por isso, porque é que tento convencer-me do contrário?
      Lágrimas para chorar não restam mais, os meus olhos esgotaram as que ainda tinha da última vez, todavia ainda possuo o sangue que corre dentro de mim... Como será o seu aspecto no exterior? Vou tentar. Tentei. Um fio escarlate escorre do meio do braço até ao pulso, uma linha perfeita que contrasta com o branco da pele. Não doeu. Não dói. No entanto, como uma droga, vicia. A imagem é viciante e aliciante para continuar em frente, para tentar uma e outra vez. Eu vou. Eu tento mais uma vez. Não me repugna. Acalma-me. Enfraquece-me. Descanso. Adormeço.
      O que às vezes parece uma parvoíce, uma estupidez, neste momento vejo a única forma de me acalmar, uma ferida na mão, um arranhão no braço, um passo mal dado e sou transportada para um novo porto de chegada, sem possibilidade de partida.

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