Baú de memórias

Dou por mim mais uma vez a remexer no baú arrumado aos pés da cama… o que era para espreitar durante uns minutos, tornou-se nas horas de toda a tarde.
As minhas mãos encontram fotografias, pedaços de papéis, cartas, roupas, desenhos, tudo o que um dia me fez rir até à exaustão e fez-me acreditar que era feliz… Tudo isto que, naquele momento, naquele instante de tempo, me parecia a única realidade. Olhava para as lembranças impressas na eternidade de uma folha e nos abraços e olhares congelados e gravados para sempre. Assistia, como se de um filme se tratasse, de novo em cena, com as suas cores e as suas personagens vestidas com os trajes encontrados. No entanto, a vontade de rir não apareceu, a comédia passou a drama e a saudade surgiu com todo o seu esplendor e grandeza. Saudade de tudo e de nada, saudade deste e daquele, saudade do dia, da tarde, da noite, saudade dos passeios, dos cheiros, dos sons, saudade de ti, saudade daquilo que vivi e já não viverei porque será sempre diferente!
As palavras… Meu Deus, as palavras escritas e que estou a ler… estas mesmas que já não são iguais, que já não soam de forma idêntica porque quem as diz sou eu e não são vocês, e não és tu, as palavras que escondem muita coisa nas entrelinhas, as palavras que nasceram do coração e cresceram com os olhos, as palavras que arracaram risos estão a arrancar pequenas gotas.
Agora que as leio uma segunda vez, vejo que no dia que brotaram traziam um significado que só agora seria decifrado, pois foi preciso “dar tempo ao tempo” para ir procura-las.

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