Perguntas...

   Acabou... acabou tudo por fim. No fundo sinto um alívio arrebatador, mas há superfície um aperto e uma angústia sem explicação, como se algo viesse contra mim com uma força imensa. Sou confusa na minha confusão, se é difícil eu compreender-me, como é que os outros poderiam realizar tal proeza? Tal mistério sem ilusão, tal truque sem segredos consegue ser impossível de resolver até para as mentes mais brilhantes.
   Hoje o dia começou com uma pergunta: "Porque é que queres seguir esse caminho?". Após a questão sucederam-se minutos de silêncio, puros minutos transformados em horas, que culminaram com a descida de um enorme pano branco sobre o pensamento. Não há nada que seja para sempre. Nem a dor, nem a felicidade. Nem o desgosto, nem o amor... Mas será para sempre o sentimento de exclusão e solidão? Estará, uma pessoa, destinada a ficar sozinha durante o seu longo período de estadia no lado vivo do planeta, ou poderá encontrar alguém que a complete nos seus últimos minutos, apenas para não voar sozinha, apenas para iludida, poder continuar o seu percurso?
   Admito que tenho assuntos, situações, momentos e até mesmo acções que não quero admitir, não quero e não consigo verbaliza-las, pois é nessa altura que se tornam verdadeiras e tomam vida. Terei medo ou falta de coragem para encará-las e encará-los de frente? Ou apenas o susto que me provocam? O que sou e como sou? Forte e sorridente à frente e fraca e chorosa por trás, ou uma mistura dos dois?
   Penso que seja isso, luto por algo que quero manter escondido e nunca revelar, todavia estou constantemente a ser posta à prova, a ver se aguento. Haverá um dia que irei rebentar, mais tarde ou mais cedo, mas um dia próximo. Hoje, amanhã, depois de amanhã, ontem?... Honestamente não sei. Preciso de espairecer, respirar a natureza pura do que me é querido, preciso mais do que alguma coisa, mergulhar no oceano e beijar o último raio de sol no fundo do infinito. Só depois poderei saber que estou viva. Sim, sou exigente, mas não tenho alternativa possível, obrigaram-me a sê-lo. 


Mensagens populares