domingo, 1 de janeiro de 2017

Ainda vens aqui?

   Esta é para ti, única e exclusivamente para ti.
   Um corpo forte também sofre e tem as suas fraquezas e fragilidades.
  Os dias voam, nascem e morrem, as memórias e as saudades reaparecem e levam-me ao limite daquilo que consigo suportar. O que é feito de ti? Onde estás? Aquela corrente que outrora era inquebrável (ou assim pensava eu) está frágil e ferrugenta, quebra-se sem o mínimo esforço, e distancias-te... Ainda continuas o mesmo? Se passar por ti nas ruas, ainda irei reconhecer-te? Se os nossos olhares se cruzarem, ainda serei a tua maninha?
   Porquê a ausência, o afastamento... A dor alucinante que trespassa a sanidade! Um dia quererás voltar a entrar, a reaparecer. Um dia será tarde e encontrarás um coração e dois braços fechados.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Lobo das Estepes


"Como se havia apoderado de mim tão lenta e insidiosamente essa paralisia, esse ódio contra mim próprio e contra toda a gente, essa obstrução de todos os sentimentos, esse profundo e perverso enfado, esse infecto inferno do vazio de afectos e do desespero?"

sexta-feira, 22 de julho de 2016

I have no words... not now, not anymore


You're in the clear while I'm waking up to nothing but tears,
and you stay the same like I'm the only one that you needed to change.
You know the things you said to me, do you regret them?...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quando amanhã começar sem mim

Quando amanhã começar sem mim,
E eu não estiver lá para ver,
Se o sol nascer e encontrar os teus olhos
Cheios de lágrimas por mim; 
Desejo ardentemente que não chores
Como choraste hoje,
Enquanto pensavas em muitas  coias
Que nunca podemos dizer.
Sei o quanto me amas,
Tanto quanto eu te amo,
E sempre que pensares em mim,
Sei que também terás saudades minhas;
Mas quando amanhã começar sem mim,
Tenta entender
Que um anjo apareceu e chamou o meu nome,
E me levou pela mão,
E disse que o meu lugar estava pronto,
No céu lá nas alturas
E que eu teria de deixar para trás
Todos os que tanto amo.
Mas quando virei costas para partir, 
Uma lágrima rolou-me dos olhos
Pois toda a vida pensei
Que não queria morrer.
Tinha tanto por viver,
Tanta coisa por fazer,
Que parecia quase impossível,
Estar naquele momento a deixar-te.

Pensei em todos os dias passados,
Nas boas e más noticias, em todo o amor que partilhámos,
No quanto nos divertimos.
Se eu pudesse reviver o passado,
Por um momento que fosse,
Dir-te-ia adeus e beijar-te-ia
E talvez te visse sorrir.
Mas foi então que percebi
Que isso nunca aconteceria,
Pois o vazio  e as memórias
Tomariam o meu lugar, 
E quando pensei nas coisas mundanas
Que poderia perder amanhã
Pensei em ti, e quando o fiz
O meu coração encheu-se de dor.
Mas quando cruzei as portas do céu
Senti-me tão em casa
Quando Deus olhou para mim e sorriu,
Do seu imenso trono dourado,
Disse: "Isto é a eternidade, 
E tudo o que te prometi.
Hoje a tua vida na Terra pertence ao passado
Mas aqui vai começar de novo.
Não te prometo amanhãs
Mas este dia vai durar para sempre,
Uma vez que todos os dias são o mesmo,
Não tens porque chorar o passado
Foste sempre tão fiel,
Tão confiante e tão verdadeiro.
Ainda assim houve alturas
Que sabias que não devias.
Mas foste predoado
E és finalmente livre.
Portanto, vem, dá-me a mão
E partilha comigo a minha vida."
Assim, quando amanhã começar sem mim,
Não penses que estamos afastados,
Pois, sempre que pensares em mim, 
Estarei aqui, no teu coração.


David M. Romano

Assuntos inacabados

   Problemas que ficam por resolver tornam-se pedras no caminho e, mais tarde ou mais cedo, acabas por tropeçar neles. Podes pensar que, no passado, quando eles surgiram, que nasceram e morreram por ali mas a verdade é que fugiste deles e ainda pioraram mais. Podes pensar que avançaste com a tua vida e controlaste a situação... Sim, numa certa parte controlaste, no entanto, nos momentos de maior fragilidade e carência o corpo dá de si e os fantasmas regressam. No fundo sabes que não existe escapatória possível e estares a enganar-te a ti mesmo e a negar o que se passa apenas vai provocar dor e sofrimento, as noites em branco surgem e os dias sem sentido renascem.
Estás novamente numa espiral descendente.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Solidão própria

   Uma relação de amizade trespassa as barreiras do saudável quando um dos lados se torna "dependente" do outro. Inconscientemente estaremos a ficar, ou já ficámos, doentes por atenção? Habituamos-nos àquela rotina de todas as manhãs sermos acordados pela luz do visor do telemóvel e todas as noites essa mesma luz ser a última a adormecer.
      Pode não ser o correto a fazer, é um facto, no entanto parece que nos sentimos mais amados, que temos alguém que sente a nossa falta e que somos, de certa forma, importantes na sua vida. O nosso ego conquista novos horizontes, toda a atenção e carinho que nos dão faz o olhar brilhar e a realidade ganha um sabor melhor que os sonhos! Todavia, a longo prazo revela-se que afinal não é bem assim, a realidade não é melhor que o mundo idealizado por nós.
      Por muitos afectos que recebamos daqueles que amamos e que nos são essenciais, do que serve se não tivermos amor próprio? Se não gostarmos de nós mesmos, qual é a necessidade de recebermos aqueles gestos? Para nos enganarmos? Acreditando que é o suficiente e que com o tempo nos habituamos à situação, como uma rotina? E se, de repente, as pessoas nos deixarem e partirem para longe? Onde estará a "dose" de carinho e afecto? O corpo entra em falência porque não sabe alimentar-se sozinho, não consegue olhar para si e ver o quanto especial é! Porque tornou-se "dependente" dos corpos de fora e acomodou-se à ideia de que "tenho quem me diga e mostre o que preciso, por isso, não preciso de fazer mais nada".
      Neste momento, talvez um pouco tarde, dá-se conta de que se adoeceu... o amor próprio desvaneceu-se na totalidade e o que sobra é um imenso vazio.      
      

"Não Se Encontra O Que Se Procura", Miguel Sousa Tavares





«"(...) Você tem uma grande defesa contra o mundo e contra tudo: escreve.

E  escrever é como construir uma fortaleza contra os ataques de fora. (...)"»

quarta-feira, 16 de março de 2016

Prazo de validade: não te habitues.

   A vida dificilmente me deixa sonhar alto, quando estou prestes a sair do abismo rapidamente desprende-se o pedaço de terra que agarro, tal Sísifo a erguer o pedregulho penhasco acima, e todo o meu corpo se despenha. Volto a erguer-me do solo e mais uma vez rumo em direcção ao cume, no entanto com as forças fragilizadas.
   Não sei explicar ou demonstrar o quanto quero ficar bem, recuperar deste turbilhão de emoções indefinidas e confusas, como se fosse bipolar, voltar a ser a pessoa que era, voltar a ter uma personalidade única e ter o espírito em paz. Muitos dizem que para isso acontecer tenho que me afastar dos problemas dos que me rodeiam, mas assim que raio de amizade seria a nossa? A minha? A deles? Os amigos não servem só para as gargalhadas ou para as festas, mais do que a diversão os amigos são o porto seguro onde atracar o barco, o ponto luminoso que nos guia no meio da tempestade e o abraço que nos recebe sussurrando que "vai ficar tudo bem, porque no fim tudo acaba bem".

quarta-feira, 9 de março de 2016

Reflexão

Estar distante de alguém  nunca doeu tanto como agora, escassas foram as ocasiões que me dei a conhecer tal como sou, que ao fim de uns momentos a defesa da muralha tenha diminuído. Em tempos optei por me afastar de tudo e de todos, não criar nenhuma relação ou empatia e viver a minha própria vida, talvez porque sabia, de alguma forma,  que aquele momento iria acabar e as pessoas com quem estive rumariam para longe, as oportunidades de nos vermos seriam menos e cada um encontraria uma nova rotina, uma nova mas antiga vida.

sábado, 5 de março de 2016

Perda do equilíbrio

O desespero estampado no rosto assombra-lhe a alma, no espelho vê-se incapaz de observar as suas feições. Os seus traços desfiguram-se com os dias e a chama perde força, não falta muito para esta se apagar, também o seu calor não aquece mais, a falta de apetite leva-lhe as forças restantes e as palavras não a salvam.
Sente-se repugnada pela sua própria imagem e evita visualizar o seu reflexo nas superfícies. Em si, não consegue encontrar nada senão motivos para cometer uma última loucura.

Fénix

O karma da Fénix... Sempre que morre consegue  reviver, levantar-se sobre as suas próprias cinzas e abraçar o céu, como se todo ele fosse in...